Lideranças e produtores rurais da região se manifestam contra a operação “Terra Prometida”
Manifesto contra a operação ''Terra Prometida''
Fonte: ASCOM / Câmara
Autor: Marcello Paulino
Centenas de pessoas, entre agricultores, representantes de entidades e lideranças políticas de vários municípios da região médio-norte de Mato Grosso se reuniram na tarde de hoje (01), na Câmara de Vereadores de Lucas do Rio Verde.
O objetivo do encontro, promovido pela sociedade civil, foi se manifestar contra a forma como vem sendo conduzida a operação “Terra Prometida”, deflagrada pela Polícia Federal e que na última quarta-feira (27) prendeu vários agricultores da região.
De acordo com o vice-governador eleito, Carlos Fávaro, ninguém está se manifestando contra as investigações, mas contra a forma como vem sendo conduzida a operação, com a prisão e a degradação moral dos trabalhadores.
“Nós temos a convicção de que não existe uma organização criminosa e isso precisa ser transmitido a sociedade. Se houve algo ilícito que seja investigado, mas de forma alguma colocar na vala comum, ao lado de bandidos, homens de bem.”
A operação “Terra Prometida” investiga irregularidades na concessão e venda de lotes rurais destinados a reforma agrária, localizados no Assentamento Itanhangá, no município de Itanhangá, região médio-norte de Mato Grosso.
Uma das medidas anunciadas durante o manifesto popular intitulado “Terra Produtiva” foi uma audiência pública federal, marcada pelo deputado federal Nilson Leitão (PSDB) para o próximo sábado (06).
O encontro, ainda sem local definido, contará com a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Ministério Público Federal, Polícia Federal, Assembleia Legislativa, entidades representativas, agricultores, prefeitos e vereadores.
Segundo o presidente do Legislativo de Lucas do Rio Verde, vereador Airton Callai (PSD), além da prisão arbitrária dos trabalhadores, a operação pode prejudicar a produção agrícola de Mato Grosso.
“Só queremos que os agricultores sejam libertados, que as investigações sejam conduzidas de forma justa e que não coloquem em risco a economia do estado. Mato Grosso vive da agricultura, nossas cidades vivem da agricultura, não da indústria.”
Os manifestantes não descartam a possibilidade de interditar a BR 163, como forma de protesto contra a prisão dos agricultores.
Para Fávaro, a ação da PF mostrou mais uma vez a necessidade de um grande projeto de regularização fundiária no estado, garantindo legalidade e segurança jurídica para quem produz e financia a safra.
“A partir de 1º de janeiro, vamos fazer uma varredura em Mato Grosso. Sei que a regularização das terras é de competência do governo federal, mas o Estado pode tomar pra si esta responsabilidade.”
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